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Bem, vejamos, estamos agora no mês de abril do ano de 2018, muito se evoluiu com relação ao sistema produtivo, hábitos de consumo foram se moldando ao longo do tempo, mas como o consumo se iniciou, se transformou e o que esperar daqui por diante? O sistema de franquia brasileiro está preparado, se adaptando ao que está sendo chamado de 4.ª revolução industrial? Mas antes de responder estas perguntas, vamos percorrer a história e entender como se deu e como está hoje o comportamento do consumidor.

As primeiras civilizações surgiram há 6000 anos, quando do advento da revolução agrícola, só depois de libertar nossa espécie da fome crônica com a produção superando os níveis de mera subsistência, gerando um ambiente propício para a poupança e empréstimos bancários multiplicando o dinheiro circulante, é que houve o estímulo ao consumo. Ocasião em que além das necessidades básicas o ser humano poderia se dar ao luxo de consumir produtos e serviços para atender aos seus outros desejos: viagens, veículos, imóveis, podendo até acumular bens.

Mas, quando o consumo de bens e serviços acontece de forma exagerada, leva à exploração excessiva dos recursos naturais e interfere no equilíbrio estabelecido do planeta. Segundo o relatório Planeta Vivo (WWF, 2008), a população mundial já consome 30% a mais do que o planeta consegue repor, cerca de 51% deste resíduo é matéria orgânica, isto é comida, alimento. Os outros 49% é composta por materiais de todo tipo, como plástico, vidro, alumínio, papel, tecidos (como roupas velhas), borracha, etc. Essa quantidade monumental de lixo provoca um grande impacto socioambiental, especialmente se considerarmos que a maioria das cidades brasileiras não possui um depósito adequado para o mesmo.

O consumo foi impulsionado pela distribuição dos bens produzidos, para tanto diversos canais de vendas surgiram ao longo do tempo. Nos dias de hoje as empresas desenvolvem suas estratégias de maneira a estar presente em praticamente todas as plataformas, o que se denomina ser onipresente. Podemos apontar o canal de distribuição Venda Direta, em que a empresa atende diretamente ao cliente final e deverá arcar com os custos sobre a estrutura escolhida, em contrapartida, as chances de interferências de comunicação entre empresa e cliente são menores ao consumidor final; um produtor também pode usar outras duas opções de canais de distribuição: o canal de distribuição curto e o canal de distribuição longo, em que a empresa faz uso de intermediários responsáveis por fazer o produto chegar ao cliente final e estes deverão determinar a melhor forma para investir em sua estrutura, reduzindo o investimento por parte da organização. A cadeia será mais longa ou curta dependendo do número de intermediários.

A atenção também deve haver para os comportamentos de consumo das gerações, segundo estudo sobre comportamento de consumo em vários segmentos do comércio, baseado em dados estatísticos de nascimentos, produzido pela empresa de consultoria de varejo Dexi Marketing, as gerações são classificadas da seguinte forma:

  • Geração Silenciosa (nascidos entre 1925 e 1942) e Baby Boomers (nascidos entre 1943 e 1960): estes consumidores possuem, atualmente, mais de 55 anos de idade e tiveram uma criação mais rígida que dos tempos atuais. Foi a primeira geração a ter televisão, além de ter acesso limitado à informação e maior vínculo às tradições.
  • Geração X (nascidos entre 1960 a 1980): essa geração é composta por consumidores que hoje estão entre os 35 e 55 anos de idade. Individualista, essa geração foi acostumada com as relações monoparentais (pais divorciados), com menor influência das tradições. Além disso, vivenciaram o surgimento da era digital e se habituaram com ela.
  • Geração Y (nascidos 1980 a 1995): formada por pessoas entre 20 e 35 anos de idade, esses consumidores foram criados com grandes expectativas individuais de realização. Nasceram numa época de grandes avanços na tecnologia, facilidade de acesso material e alta prosperidade econômica.
  • Geração Z (nascidos a partir 1995): são os consumidores com menos de 20 anos que nasceram na época digital, usam a tecnologia com muita facilidade e acessam a internet com frequência. Enxergam o mundo com menos barreiras, aceitam mais as inclusões sociais, a diversidade étnica e reconhecem os grandes problemas ambientais do que as gerações anteriores.

Estamos em pleno século XXI e o que antes víamos nos filmes de ficção científica somos testemunhas que estão se materializando no mundo atual e real. Em artigo publicado no portalnovarejo.com.br, por Gabriely Araújo, aponta-se 10 Previsões de tecnologias no varejo em 2018:

Experiências integradas habilitadas com Inteligência Artificial (AI), realidade aumentada, conectividade e aplicativos baseados em microservices são só algumas das tecnologias que estarão no varejo e que até 2021 terão sido adotadas no comércio e serviços.

Omnichannel
Até 2019, 50% dos varejistas terão adotado uma plataforma de comércio de varejo de Omnichannel, que permitirá um aumento de até 30% na rentabilidade do omnicanal.

Nuvem, AI e composable
Até 2019, os 30% superiores dos varejistas estarão ativamente envolvidos na transformação digital, conduzindo mudanças organizacionais e estratégias de investimento em tecnologias de plataformas fundamentais, baseadas em nuvem, habilitadas para AI e composable.

Arquitetura CX
Até 2019, 40% dos varejistas terão desenvolvido uma arquitetura CX suportada por uma camada AI. Essa plataforma permitirá a personalização CX hiper-micro, proporcionando um aumento de conversão até 30% e, portanto, uma receita de até 25% maior.

Dados geoespaciais
Até 2021, os varejistas terão adotado dados geoespaciais para gerar maior eficiência na orquestração de omnichannel, reduzindo os custos de estoque em até 25% em centros de distribuição e lojas.

Fulfillment
Em 2020, mais de metade dos consumidores terão no Fulfillment, o cumprimento perfeito do serviço, como principal motivo de lealdade para os varejistas. Como resultado, os varejistas aumentarão seus orçamentos para essas tecnologias em até 20% para criar uma experiência de realização totalmente transparente e amigável.

Assistentes digitais
Em 2021, 10% das vendas de varejo em cadeia serão criadas e gerenciadas por meio de assistentes digitais habilitados para voz, o que acelerará a predominância de mercados para a compra de produtos diários.

Defesa cibernética
No meio de ameaças cibernéticas em rápida evolução e atores ameaçadores de crescente sofisticação, 75% dos varejistas terão adotado tecnologias de defesa cibernética baseada em inteligência artificial até 2020.

Força de trabalho digital
Até 2019, 40% dos varejistas terão iniciado uma transformação significativa da força de trabalho para atender a cada vez mais pressão para oferecer uma experiência de cliente de somnacional de ressonância, quebrando silos de engate digital-físico.

Redes PIM/MDM
Em 2020, 20% dos varejistas terão redesenhado suas redes de Inteligência artificial para PIM/MDM. Essas redes conectam os atributos do produto através da análise social e do comportamento de clientes, criando insights competitivos ​​para unificar merchandising e marketing.

AI, AR e IoT
Até 2021, respondendo às expectativas de experiência das partes interessadas, os varejistas que usarem a Inteligência Artificial, Realidade Aumentada (AR) e IoT (Internet das Coisas) para o envolvimento dos funcionários e clientes verão os níveis de satisfação do cliente aumentarem em até 20%, aumento da produtividade dos funcionários em até 15% e o estoque aumentar em até 25%

Diante de todos os fatos e evolução iminente não tenho dúvidas que viveremos daqui por diante uma grande revolução nos costumes, impactada pelo uso da tecnologia cada vez mais presente em nossa vida. O sistema produtivo tende a ganhar velocidade e deve continuar esbarrando em questões de logística e distribuição, o que já vem ocorrendo em nosso país há muito tempo, importante dar celeridade nos investimentos de infra-estrutura e nos sistemas híbridos de transporte, para agilizar a entrega de produtos com a velocidade alinhada com a produção.

Franqueadores têm um grande desafio para acompanhar essa transição e poder oferecer a franqueados soluções que mantenham ou aumentem sua competitividade na ponta, a fim de atender seus consumidores finais. A competitividade será cada vez mais acirrada, pois, a tecnologia transformadora estará cada vez mais acessível a todos, franquias que não acompanharem e ficarem atentas ao comportamento deste novo consumidor podem perder mercado. Outro desafio é estar afinado com estas mudanças e manter a qualidade em seus produtos, processos e comunicação, cada vez mais o papel da liderança é fundamental, pensamento sistêmico e implantação de uma cultura de inovação constante será extremamente valorosa para manter-se competitivo.

Do ponto de vista do franqueado a atenção deve se dar nos movimentos da franqueadora, em qual caminho, a que ritmo, optaram os seus dirigentes para evoluir e estar presente na mente do novo consumidor. Além disso, que posicionamento estratégico definiram, principalmente com relação ao consumo consciente e cada vez mais saudável, num mundo que tem como grande dilema nos próximos anos, por exemplo, como administrar o uso da água potável, sua preservação, novas formas de produção e distribuição, um produto essencial para a sobrevivência da vida humana, qualquer que seja a classe social a que pertence o novo consumidor.

Advento como a Inteligência Artificial, não tenham dúvidas revolucionará a forma de gerir os negócios, empregos da forma atual não existirão e outros serão criados pelo novo tempo, cenário que viveremos e este recurso tecnológico já está disponível para as redes de franquia. Desta forma franqueados podem ser afetados ou pela não observância por parte dos franqueadores ou pelo aumento substancial da intensidade da competitividade em sua área de atuação. Será uma nova forma de gerir com a tecnologia influenciando nas decisões, já vemos atualmente noticias de sistemas que estão processando informações nos escritórios jurídicos e sugerindo as melhores estratégias a serem adotadas nos casos a impetrar, imaginem o que pode ser feito na indústria e no varejo, considerando que plataformas tecnológicas são essenciais para operação dos negócios.

Aliado a tudo isso a convivência entre os jovens e os mais experientes, pessoas com mais de 50 anos, que serão maioria na população devido ao aumento da perspectiva de vida, mas que hoje tem dificuldades de se estabelecer nas empresas, restando a eles a iniciativa na abertura de novos negócios, consultorias, que por sua vez devem contratar os jovens que estão cada vez mais inconstantes e sem fronteiras. Não tenham dúvidas tarefas operacionais serão assumidas por sistemas inteligentes e eficazes, jovens terão também dificuldades a não ser que sejam protagonistas na criação de novos postos de trabalho, novos negócios, mas também devem estar junto aos mais experientes que têm o conhecimento e carregam uma bagagem extraordinária em suas mentes, fundamental para enfrentamento destes novos tempos. Esta relação deve afetar o ambiente nas franquias, assim como nos demais negócios próprios, partirá na frente quem adotar uma política de contratação para absorver pessoas longevas e criar esta “conexão” com os mais jovens.

Estamos em 2018 praticamente às vésperas das eleições para Presidente, Senadores, Deputados Federais e Governadores no Brasil, momento de polvorosa com a atuação da Polícia Federal e Ministério Público, aprisionando corruptos que extorquiram cofres públicos. Instituições como o executivo, legislativo e judiciário na mira da opinião pública, ainda se mantendo firmes e funcionais, no exercício pleno da democracia. Tempos de mudanças, mas não tenham dúvidas que também este funcionar teve a participação e influência do uso da tecnologia. Não tem volta! É preciso se adaptar, mas, ao mesmo tempo, cuidar, integrar-se uns com os outros, cada vez mais franqueadores e franqueados devem estar próximos, se franqueados não conseguem esta proximidade devem se unir e também defender seus interesses, corrigir rumos e desfrutar deste passar da história, aproveitando o máximo cada instante! Hoje já existe uma instituição que aproximam os franqueados, a Associação Brasileira de Franqueados — ASBRAF (https://asbraf.com/), participando da construção de um futuro melhor para estes investidores responsáveis pelo aumento substancial do PIB brasileiro e em constante crescimento. Posso até errar em alguns pontos das tendências que indiquei neste texto, mas é certo que os próximos dias, meses e anos serão marcados pela cada vez mais proximidade entre os franqueados. Franqueados unidos, franchising fortalecido!

Sobre o autor: Empreendedor, Consultor e Palestrante, atual Diretor de Relações Institucionais – ASBRAF (https://asbraf.com/), formado em Administração, foi franqueado durante 36 anos, 1o. Presidente da Junior Achievement – Paraíba de 2004 a 2006.2, Diretor da Associação dos Lojistas do Shopping Sul de 2005 a 2007, premiado diversas vezes entre eles como melhor franqueado do Nordeste, MPE Brasil e melhor gestão pelo PPQ – Programa Paraibano da Qualidade.

Site: https://douglasnunnes.wixsite.com/consultorpalestrante