Natura avalia separar operação da Avon e criar duas companhias de capital aberto

Medida avaliada vem na esteira das recentes vendas de Aesop e da The Body Shop pela Natura &Co

SÃO PAULO A empresa de cosméticos e beleza Natura &Co anunciou na noite desta segunda-feira (5) que seu conselho de administração autorizou a diretoria a estudar uma separação das marcas Natura e Avon.

Segundo fato relevante anexado na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) após o fechamento do mercado, a ideia é que as duas companhias sejam independentes e ambas de capital aberto.

O anúncio vem na esteira das vendas recentes da marca britânica de cosméticos sustentáveis The Body Shop e da australiana Aesop.

“A possível separação está em linha com a estratégia de Natura &Co de simplificar sua estrutura corporativa e proporcionar mais autonomia para suas unidades de negócios”, diz a empresa no fato relevante.

“Essa separação tem como objetivo promover o potencial de ambas as empresas, que possuem abrangências geográficas distintas, atendem diferentes consultores de beleza e consumidores e, juntas, oferecem valor limitado de sinergia sob a estrutura atual”, afirma.

Segundo a Natura &Co, a estrutura da transação está sendo avaliada, mas a empresa adiantou que a expectativa é que a operação resulte em duas empresas separadas e independentes, com planos de negócios e governança próprios, além de possuírem equipes de gestão mais bem preparadas para encontrar estratégias direcionadas a cada marca.

A companhia frisou ainda que o objetivo é que a transação gere valor aos acionistas no longo prazo.

Após um período de grande expansão e globalização da Natura &Co, a empresa vem mudando de estratégia depois de acumular ao longo de 2022 e parte de 2023 trimestres seguidos de prejuízo líquido, em meio à crise macroeconômica que afetou todo o varejo.

Em meados de 2022, a companhia trocou o seu comando e passou a ser presidida pelo ex-Santander e Febraban (Federação Brasileira de Bancos) Fabio Barbosa, que chegou com o objetivo de fazer a fabricante de cosméticos voltar ao lucro.

Entre as alternativas, estavam a venda de marcas estrangeiras, como ocorreu com The Body Shop e a Aesop, e a simplificação da infraestrutura da companhia, com a volta de seu modelo básico de operação.

“O que o Fabio está procurando fazer, e tem feito muito bem, é minimizar ao máximo o risco da Natura e diminuir sua dívida”, analisa André Pimentel, sócio da consultoria brasileira Performa Partners.

Apenas com a venda da Aesop, concluída em agosto do ano passado, a companhia teve impulso não só para fechar o terceiro trimestre de 2023 no positivo, mas viu seu lucro líquido disparar para R$ 7 bilhões, após um prejuízo de R$ 560 milhões no mesmo período do ano anterior.

O lucro medido pelo Ebtida ajustado, antes de descontos com juros, impostos, depreciação e amortização, ficou em R$ 751,4 milhões, alta de 10% ante o terceiro trimestre de 2022.

O lucro medido pelo Ebtida ajustado, antes de descontos com juros, impostos, depreciação e amortização, ficou em R$ 751,4 milhões, alta de 10% ante o terceiro trimestre de 2022.

Após a conclusão da venda de The Body Shop e da Aesop, a Natura &Co vem procurando se concentrar nas suas duas grandes marcas: Natura e Avon, com especial atenção ao mercado da América Latina.

Mas a integração das operações entre as duas marcas ainda apresenta gargalos. Revendedoras vêm reclamando do atraso na entrega de produtos da Avon e da pouca quantidade de produtos Natura disponível nas promoções.

“A Natura não conseguiu ter sucesso na integração das operações e resolveu dar vários passos para trás com a venda de The Body Shop e da Aesop. Agora está tentando, sem perder o ativo, dividir o risco da operação da Avon”, diz Pimentel.

“Com isso, a empresa garante que o negócio da Natura, que é o domínio dos acionistas, seja menos impactado pelos desafios da operação da Avon”, afirma.

Pimentel observa que a notícia vem pouco depois da confirmação da fusão da Arezzo com o Grupo Soma. As duas resolveram juntar sinergias para criar uma gigante do varejo de moda.

Segundo o especialista, essa foi a tentativa da Natura no passado ao se globalizar, mas, segundo ele, o plano da empresa acabou falhando.

A conclusão da compra da Avon pela Natura ocorreu em 2020. Na época, a aquisição criou a quarta maior empresa de beleza do mundo.

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