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A criatividade é uma característica essencial no ato de empreender, está presente em pessoas com veias artísticas, bons negociadores, estrategistas, enfim naqueles que se permitem extrapolar limites, ousar e quebrar paradigmas. Foi assim ao longo da história da humanidade, o humano é um ser que está sempre a criar, podemos exemplificar alguns fatos marcantes, como a invenção do dirigível guiado por Santos Dumont ao redor da Torre Eiffel em Paris, as obras do polímata Leonardo da Vinci nas mais variadas formas, um verdadeiro curioso e inventivo. Criatividade é inventividade, inteligência e talento, natos ou adquiridos, para criar, inventar, inovar, quer no campo artístico, quer no científico ou qualquer outro, necessário um ambiente propício e estímulos para exercer a criatividade em sua plenitude. A pergunta é: no sistema de franchising há espaço para o franqueado ter criatividade e inovar? Como ser criativo num ambiente tomado de regras e normas rígidas?

A premissa fundamental do sistema de franquia está no repasse do know how adquirido e testado pelo franqueador aos seus franqueados, para manter o padrão regras rigorosas devem ser cumpridas, supervisionadas, pouco ou nada é permitido se foge das regras e é passível de avaliação constante. Está tudo correto, deve ser desta forma, a padronização é extremamente importante para a uniformização do conceito e da marca, investimento são feitos constantemente para manter o padrão entre as unidades franqueadas, o cliente final deve identificar a marca em qualquer lugar que vá, mídias institucionais são feitas para criar e consolidar esta identidade única. Cabe ao franqueado manter este padrão seguindo exatamente o que é orientado através dos manuais, comunicados, consultores de campo, entre outros.

Mas vamos considerar um franqueado que já exerce com maestria a gestão e tem uma operação quase que perfeita quanto ao cumprimento de tais regras, em algum momento pode se deparar com um pensamento crítico e querer dar sugestões de melhorias que se implementadas e testadas podem beneficiar toda uma rede. Como é que este franqueado pode, ousadamente, sugerir mudanças de padrões já testados? Geralmente estes são os que se identificaram como verdadeiros empreendedores, que sentem esta necessidade de “sair do quadrado”, a questão é que se ele está convivendo num ambiente em que é possível e até estimulado ultrapassar limites ou o franqueador é daqueles ditatoriais, engessados, que não permitem nenhuma alteração. Começa então uma força de vontades, o franqueado querendo propor melhorias e franqueadores negando por achar que nada pode ser alterado.

A condução do franqueador frente a um ambiente de inovação é extremamente importante, ouvir sempre os franqueados, criar e estimular sua participação nas mais variadas formas, fazê-los serem participantes das mudanças e melhorias é muito significante. Fomentar permanentemente esta relação aberta, transparente e sincera, reconhecer as melhores práticas, afinal é na ponta da cadeia que as coisas acontecem e é lá que está o cliente final e tudo gira em torno de atingir o nível de satisfação máxima deles, não é verdade? Se franqueados estão satisfeitos, tem um ambiente favorável à inovação, as probabilidades de termos também clientes finais satisfeitos é enorme. A outra pergunta é: e nas marcas em que se impõem limites rígidos, instransponíveis, como fica este franqueado empreendedor?

Se analisarmos que o Brasil é um país de empreendedores, que o sistema de franquia cresce mais do que um negócio tradicional, que as características do comportamento empreendedor indica que são transformadores, podemos apontar uma tendência em que os limites se forem impostos pelos franqueadores serão geradores de conflitos, o que já deve estar ocorrendo e a falta da integração com franqueados pode ensejar num elemento redutor da competitividade, se comparados às marcas que entenderam que a sinergia entre as duas partes é preponderante para o contínuo sucesso do negócio. É na mente dos franqueados que estão as soluções, principalmente para as questões operacionais e de atendimento.

Para quem tem veia empreendedora não tenha dúvidas que extrapolar os limites das regras determinadas pela franqueadora é uma verdade presente, dependendo de como são recebidas as ideias dos franqueados pode ser gratificante ou frustrante. Em ambientes em que há uma abertura, mesmo que com regras definidas, a exemplo de reuniões de compartilhamento de práticas, a probabilidade das ideias serem implementadas é maior, caso contrário ocasionará uma tensão que pode se alastrar e provocar algum tipo de ruptura. A terceira pergunta é: Se sou franqueado e estou sendo impedido de alguma forma, mesmo que involuntariamente, devo permanecer neste ambiente ou devo dar asas ao meu comportamento empreendedor em um que me permita colocar todas as ideias que acho pertinente no negócio?

É um grande dilema cuja decisão cabe exclusivamente a quem está na condição de franqueado empreendedor. Se decide ficar por quanto tempo ainda se permitirá cumprir obedientemente todas as regras? Se decide partir para outro negócio como deixar um que possui pleno domínio de sua operação? Somos todos impulsionados para evoluir, de uma forma ou de outra, naturalmente o empreendedor sente a necessidade de “sair do quadrado”, buscar novos desafios, novas oportunidade de crescimento. E você como se sente em seu ambiente, consegue usar todo o seu potencial empreendedor? Se sim, ótimo, tens a possibilidade de exercer toda a sua liberdade criadora, se não, reflita, tens alternativas, podes influenciar o franqueador ou vai conviver com esse sentimento?

 

Sobre o autor: Empreendedor, Consultor e Palestrante, atual Diretor de Relações Institucionais – ASBRAF (https://asbraf.com/), formado em Administração, foi franqueado durante 36 anos, 1o. Presidente da Junior Achievement – Paraíba de 2004 a 2006.2, Diretor da Associação dos Lojistas do Shopping Sul de 2005 a 2007, premiado diversas vezes entre eles como melhor franqueado do Nordeste e melhor gestão pelo PPQ – Programa Paraibano da Qualidade.

Site: https://douglasnunnes.wixsite.com/consultorpalestrante