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Por Douglas Nunes em 10 de novembro de 2017

Foto: Douglas Nunes

Empresas no Brasil têm diariamente diversos desafios relacionados aos seus recursos humanos, recrutar, selecionar, desenvolver, reter, administrar interesses de gerações, acompanhar a dinâmica provocada pela tecnologia, evolução, extinção e surgimento de novos cargos, além de parametrizar com as leis e convenções pactuadas entre sindicatos patronais e de empregados, entre outros. Numa franquia não é diferente, porém para quem é franqueado recebe do franqueador todas os direcionamentos e manuais, além do suporte para enfrentar tais desafios. Teoricamente entende-se que tudo relacionado ao RH no que diz respeito à operação do negócio pelo franqueado já foi testado e comprovado a eficiência, bastando apenas uma boa execução. É isso mesmo? Vamos procurar entender melhor como se dá a operação do franqueado em relação ao RH.

Após o franqueado participar de treinamentos que tratam de toda a operação do negócio, assimilando os conceitos que envolvem a sua cultura, em alguns módulos será aprendido sobre quais os perfis das funções, as atribuições e uma metodologia de recrutamento e seleção, que pode ser assistida ou orientada, cabendo ao franqueado sua execução. Durante o processo seletivo há uma busca por pessoas que mais se aproximam do perfil e após contratados por um período de experiência, realizar a integração e iniciar uma avaliação para decidir a contratação em definitivo. Em seguida o desenvolvimento de cada pessoa contratada para aprimorar habilidades e realizar suas atividades o melhor possível. Tudo sob a supervisão do franqueado com o suporte dado pelo franqueador. A diferença principal em relação aos negócios próprios é que aqui cada etapa já está descrita, em manual, tem um padrão que deve ser adotado por todos os franqueados e cumpridos rigorosamente.

A princípio parece que o padrão definido é suficiente, mas como qualquer negócio lidar com recursos humanos é sempre um eterno desafio que tem sempre ajustes nos processos a serem feitos, adequações à realidade local, neste ponto o franqueado em sua maneira de gerir tem papel fundamental. Então não estamos falando de robotizar processos e nos fixarmos em padrões, mas deixar claro que o franqueado deve introduzir seu jeito, seu modo, na execução e estar aguçado nas percepções, nem tudo que foi definido pelo franqueador quando for aplicado dará certo, em função de características exclusivamente locais. Vivemos num país de grande extensão territorial, com costumes os mais diversificados, inclusive entre estados vizinhos, modo de falar, influências culturais, de clima, hábitos comuns da população local, enfim, cabe ao franqueado fazer esta interface entre a cultura da marca do franqueador ajustando à realidade local. Para ficar mais claro eis um exemplo, no nordeste do Brasil o mês de junho é um período de festas juninas, em algumas cidades duram até 30 dias, é necessário que uma marca de franquia cujas origens são de outra região, como por exemplo o sul do país, adaptar-se lidando com a equipe da unidade franqueada considerando esta influência cultural e transformar em uma oportunidade para ampliar resultados.

De outro lado o franqueador necessita que seu padrão seja disseminado o mais fiel possível, pois é parte fundamental num sistema de franquia, a uniformidade dos processos, do atendimento, implicitamente disseminar através de suas unidades a sua cultura, o seu conceito de negócio, afinal existe uma origem e raízes firmes que devem ser mantidas. A pergunta aqui é: qual a flexibilidade que deve ser dada ao franqueado de forma que não mude totalmente a característica da marca? Ou, deve se dar flexibilidade ao franqueado? Muita liberdade ao franqueado sem a devida supervisão, pode realmente descaracterizar o negócio, como já aconteceu, a exemplo do que foi mostrado no filme Fome de Poder sobre o Mc Donalds, numa cena em que foram introduzidos outros pratos no cardápio e o processo de atendimento totalmente alterado. Porém engessar o negócio sem dar flexibilidade pode limitar possibilidades, talvez o melhor para ambos, franqueadores e franqueados é criar um ambiente de colaboração mútua em que possa ser desenvolvido um formato perfeitamente adaptado às realidades locais, mas sem perder as características essenciais da marca.

Do ponto de vista do franqueado este é o maior desafio, assimilado a cultura da marca, como transferi-la para sua equipe considerando todas as influências locais e suas limitações como gestor da unidade. Dependerá de qual o nível de flexibilidade, ou seja, até onde se pode ir fazendo pequenas alterações que se adequem localmente e faça o seu time fluir e gerar mais resultados. Mas é possível, acredito que um dos pontos cruciais para que isto ocorra está no desenvolvimento de cada integrante da equipe, necessário que haja uma uniformidade de conhecimento, troca de experiências, para que se estimule um ambiente inovador, de forma que a criatividade aflore e que se possa propor ao franqueador a realização de testes de práticas condizentes com as necessidades locais. Tomando ainda como exemplo o período junino na região nordeste, vamos imaginar que a franquia seja de alimentação, neste período o milho é o alimento mais consumido e promovido na mídia, então porque não introduzir uma receita para um prato com este ingrediente? Com uma equipe de alta performance há mais confiança e o franqueador pode permitir e se for um sucesso ainda ser replicado para outras unidades. Porém dependerá exclusivamente do nível de flexibilidade dado, se for zero nem adianta, mas por outro lado o investimento no conhecimento para ter um time campeão será notado nos resultados, independentemente de ter sido adaptado ou não à realidade local.

O objetivo é ter um time campeão, recrutar, selecionar, desenvolver, conforme os direcionamentos da franqueadora, aproveitar as flexibilidades existentes para “sair do quadrado”, ter um ambiente sempre inovador, mesmo com as limitações existentes. Sim é possível, importante estar sempre investindo em sua equipe, realizar todos os treinamentos oferecidos pela marca, acrescentar outros existentes no mercado, desenvolver, desenvolver e desenvolver. A dinâmica é grande nas relações humanas, colaboradores entram, colaboradores saem, colaboradores voltam, mas a liderança deve manter seu rumo e focar na construção de um time campeão, sim é possível e existem vários exemplos, quem não lembra do Bernardinho várias vezes campeão e é que por ele passaram vários atletas de algumas gerações. E então, analisou? seu time já é um time campeão?

Sobre o autor: Empreendedor, Consultor e Palestrante, atual Diretor de Relações Institucionais – ASBRAF (https://asbraf.com/), formado em Administração, foi franqueado durante 36 anos, 1o. Presidente da Junior Achievement – Paraíba de 2004 a 2006.2, Diretor da Associação dos Lojistas do Shopping Sul de 2005 a 2007, premiado diversas vezes entre eles como melhor franqueado do Nordeste e melhor gestão pelo PPQ – Programa Paraibano da Qualidade.

Site: https://douglasnunnes.wixsite.com/consultorpalestrante

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