Comerciantes mantêm forte otimismo em julho

A confiança do empresário do comércio no mês de julho apresentou alta de 11,7%, a segunda consecutiva no ano após os cinco primeiros meses de queda. Na esteira do comportamento de junho, quando variou 12,2%, o nível de confiança voltou para a zona de satisfação, com 107,8 pontos, o que não acontecia desde março deste ano. Cada vez mais os empresários reconhecem que as condições econômicas passaram a ser favoráveis. Principalmente, os das micro e pequenas empresas, com o aumento da circulação de pessoas nos shoppings, onde muitas franquias operam.

De acordo com a pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o indicador da confiança do empresário do comércio (ICEC) renovou a tendência otimista verificada em junho, ascendendo num ritmo forte, também.

O contexto para o ICEC chegar a 107,8 pontos deve estar  relacionado com fatores que permitem estimar um segundo semestre melhor para o ambiente de negócios, tais como os efeitos da vacinação pelo país; a diminuição do número de óbitos e internações; bem como com o fenômeno que se observa a olho nu em face da maior disposição dos consumidores em circular nas ruas e passar a gastarem mais, como por exemplo, em vestuário.

Sendo assim, gradativamente o cenário fica mais parecido com o pré-pandêmico, com fortes indicações para isso, como a volta do trânsito mais lento e as retenções; a movimentação de pessoas em bares, hotéis e restaurantes; e os deslocamentos nos finais de semana para praias e outros locais de lazer e descanso.

Não bastasse esse conjunto de fatores, também podem estar  induzindo para a percepção de melhora das condições da economia e do comércio a terceira versão do Pronampe; os efeitos sobre o consumo dos programas emergenciais de transferência de renda; o arrefecimento da pressão inflacionária sobre custos e repasses aos preços finais; o aumento do emprego com carteira assinada; e vendas as feitas por intermédio do crédito, fora o hábito do e-commerce.

O ICEC de julho aponta, portanto, para expectativas favoráveis no começo deste segundo semestre, compatíveis com o que se espera para o desempenho da economia e das vendas comerciais no segundo semestre e neste ano. Hoje, tanto para o PIB quanto para o faturamento do comércio, as estimativas superam a casa dos 5% em 2021, nível de recuperação que demonstra a força do consumo como variável determinante para estimular o crescimento econômico e avançar na recuperação.

Assim como aconteceu em setembro do ano passado, novamente todos os componentes do ICEC cresceram. Dentre os três grupos que constituem este indicador, destaca-se o ICAEC (Índice das Condições Atuais do Empresário do Comércio), cuja variação de 29,2% foi puxada, sobretudo, pelo entendimento de que as condições relativas ao desempenho da economia melhoraram bastante (40,2%). O aumento deste componente a partir de junho tem dado contribuição para a formação positiva do ICEC.

Em relação aos demais integrantes, evidentemente que esse tipo de entendimento impacta favoravelmente as intenções de investimentos (8,5%), com viés mais intenso na própria empresa (14,8%). Já o desempenho mensal do ICEC no mês de julho implicou no aumento anual de 55,6% sobre julho do ano passado.

Composição do Índice Nacional

A elasticidade da taxa de variação mensal de julho posicionou o ICEC na zona de satisfação em todas as regiões do país. Em junho passado, Sudeste e Nordeste estavam abaixo da faixa de 100 pontos.

Em virtude das suas idiossincrasias, as micro e pequenas empresas, aquelas que empregam até 50 funcionários, vêm sendo sobremaneira afetadas pela crise. Em decorrência da crise, estas unidades produtivas vinham-se expressando pela baixa confiança empresarial.

Contudo, a provável recuperação da economia pode estar influenciando a confiança empresarial, o que fez com que partir de julho o ICEC das empresas de menor porte entrasse na zona de otimismo (107,6 pontos), embora a avaliação seja diferente para as médias e grandes empresas (120,1 pontos), que já estavam acima de 100 pontos desde setembro do ano passado (107,0 pontos).

Graças à base menor, as taxas de confiança para o segmento de menor porte apresentam-se mais expansivas. Por exemplo, na passagem do mês o ICEC cresceu 11,8%; e no confronto com julho do ano passado bateu 56,0% para as MPE.

A avaliação do ICEC neste critério revela os três subindicadores acima de 100 pontos; sendo que a maior alta deu-se junto às empresas que vendem produtos semiduráveis (16,9%).

Neste aspecto, a entrada do inverno e as novas condições da economia devem ter calibrado para cima a confiança dos empresários do comércio, de vez que este segmento até o momento tem passado por mais dificuldades do que os outros, em virtude dos atributos dos produtos vendidos. Assim sendo, verifica-se o maior incremento da confiança no segmento de bens semiduráveis, tanto na comparação mensal (48,8%) quanto anual (200,2%).

Autor: Antonio Everton Chaves Júnior, Economista da Confederação Nacional do Comércio, Bens, Serviços e Turismo (CNC), Coordenador Privado do Comitê Temático Política Nacional de Apoio e Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas do Ministério da Economia.

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