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Por Douglas Nunes em 25 de junho de 2017

Família é a nossa base, laço eterno iniciado desde o nascimento, crescemos em torno de pessoas de diferentes pensamentos, comportamentos, mas há uma força que mantém todos unidos, ser parte, ter alguém para abraçar, beijar, amar, fortalece e apesar das prováveis brigas, divergências, ainda é nosso porto seguro. Os mais novos encontram exemplos para seguir, mas também quando se tornam adultos constroem seus próprios princípios, conviver em harmonia é bem desafiador, mas a tendência é querer estar juntos sempre que possível, afinal família faz parte de nossa felicidade.

Agora vamos imaginar que esta família tenha crescido em torno de um negócio, uma marca franqueada, que por sua vez cresceu ao longo do tempo e se tornou grande e reconhecida nacional e internacionalmente, como é o comportamento desta família diante deste fato? Geralmente numa franquia longeva a família passa por gerações, chegando o fundador franqueado a ter que lidar até com seus netos e bisnetos. Se a marca franqueada é próspera e tem uma boa perspectiva de futuro, os familiares em torno normalmente se integram naturalmente ao negócio. Aliás há duas situações que prevalecem, uma em que os familiares das novas gerações se integram e outra em que seguem outros caminhos.

Se os familiares se integram ao negócio fraqueado e participam ativamente, o principal gestor tem um desafio, como lidar com a família dentro de uma franquia cheia de regras, afinal trata-se de uma empresa familiar. Essas pessoas da família que se dedicam ao negócio provavelmente têm seus sonhos profissionais e caso a franquia esteja indo bem, pode haver uma acomodação. Do ponto de vista do principal gestor caso a pessoa da sua família não queira se integrar ao negócio, tem outro desafio o de como encontrar sucessores, afinal com o tempo será necessário se desligar e seguir outras rotinas pois a idade não permitirá trabalhos intensos e num mercado competitivo é preciso agir prontamente.


É criado então uma interdependência com a marca franqueada, o ritmo é ditado pelas decisões da franqueadora, investimentos, reinvestimentos, metas, enfim tudo que o mercado exige quando uma marca de franquia deseja estar sempre em pleno crescimento e é fato, todas as marcas querem crescer e ser um exímio player conquistando share. Mas como o franqueado deve lidar com estas duas situações, uma em que a franqueadora coloca constantemente desafios e outra em que os familiares estão ou não integrados ao negócio? Baseado em experiência própria e de ter ouvido franqueados ao longo de meus 36 anos de atividade empresarial, relaciono abaixo 5 pontos de atenção para lidar com estas situações:

1. Determinações da franqueadora: Importante ficar atento às determinações da franqueadora, como planos de expansão agressivos, investimentos em mídia local, criação de novos cargos na estrutura organizacional do franqueado, apontamento recorrente de pontos negativos na gestão, tudo isso pode desestruturar o negócio e consequentemente afetará a família.

2. Modelo de gestão do franqueado: Definir um modelo de gestão é fundamental, para de certa forma “blindar” as investidas da franqueadora, bom frisar que a gestão é do franqueado e que orientações da franqueadora podem ser questionadas. Um bom exemplo são negócios que implantam a governança corporativa, com regras claras estabelecidas entre os sócios familiares, de forma que as decisões são baseadas nestes critérios estabelecidos, claro que respeitando a relação contratual com a franqueadora.

3. Profissionalização da empresa familiar: Todos os familiares que ingressarem em alguma atividade no negócio franqueado, obrigatoriamente devem ter um plano de carreira e deve cumpri-lo, não há mais espaço para amadorismos, tratar a pessoa da família de forma a protege-lo será percebido pelos demais profissionais e afetará o desempenho reduzindo a capacidade competitiva.

4. Monitoramento da carreira dos familiares: Mesmo que algumas pessoas da família não estejam efetivamente com atividades ligadas ao negócio franqueado, importante que o principal gestor faça um monitoramento da carreira deste familiar, não se trata aqui de perseguir mas sim incentivar o seu desenvolvimento e realizações. Neste aspecto é necessário que todos tenham uma carreira promissora, caso contrário se voltarão para a franquia e nem todos cabem nela. Por outro lado se por acaso optarem por livre e espontânea vontade a ingressarem no negócio franqueado, capacitação não será o entrave.

5. Decisões estratégicas do franqueado: Cabe aqui ressaltar que as decisões estratégicas do franqueado ditam os rumos e consequentemente os impactos na família. O principal gestor deve, entre outros, definir sua sucessão e dos principais cargos que operacionalizam o negócio e o fazem se manter e crescer, decidir investimentos, mudança de rotas, uma metodologia transparente para o processo decisório, enfim decisões que são determinantes para o sucesso do negócio.


É lógico que estes pontos de atenção são apenas alguns dos mais variados que devemos ter em um negócio dinâmico, num mercado cada vez mais mutável, porém aponta para assuntos extremamente importantes para a relação entre o franqueado, franqueadora e familiares. Tenho tido contato com vários franqueados no país e observado como estas relações tem impactado as famílias, casos de sucesso e de insucesso. Franqueados que diversificam os negócios optando por também ter outras franquias, que abrem empresas próprias ou que se mantém como franqueado da mesma marca, todas estas famílias estão interdependentes da relação com a franqueadora.

Relações conflitantes com franqueadoras tem despedaçado famílias, tendo em vista as errôneas decisões estratégicas adotadas e a operacionalização delas, muitas vezes inviabilizando o negócio franqueado. Há situações em que a franqueadora não cumpriu sua parte em um acordo de repasse, deixando o franqueado e sua família em situação crítica, principalmente quando ela, a família, tinha em sua maioria atividades profissionais dentro deste negócio. Famílias que se prepararam, cuidaram de ter carreiras paralelas, sentem menos o impacto negativo, mas aquelas que não, sofrem e sofrem para se readaptarem.

Quando a relação com a franqueadora é transparente, com participação efetiva e alinhada com a rede de franqueados, decisões estratégicas assertivas e participação efetiva na operacionalização, a família tende a se incorporar cada vez mais ao negócio e a permanecer por diversas gerações. Desta forma cria-se um ambiente virtuoso de respeito recíproco, com resultados satisfatórios e as famílias sentem-se abraçadas e acarinhadas pela marca que representam, uma verdade a ser perseguida, pois é necessário criar este elo entre franqueadora, franqueado e família, diria até que é premissa básica para uma relação harmônica e perene.

Independentemente de qualquer que seja a situação uma família unida desfrutará dos ouros e ficará firme no enfrentamento de qualquer crise, nesta relação o elo mais forte está na família, coesa e com laços fortes, então, um viva à nossa família!!

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