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Por Douglas Nunes em 09 de outubro de 2017

Numa franquia o padrão é extremamente importante, é a identidade da marca, seu jeito de ser e de se posicionar, ter unidades com layout padronizado, além da uniformidade ajuda na identificação pelo cliente público alvo. Some-se a isso um bom operacional de atendimento, reposição de estoques, merchandising no ponto de venda, sistemas informatizados, para gerar a melhor experiência a quem visita, não há dúvidas que serão fixadas na memória dos clientes e eles retornarão com frequência. Mas se o franqueador tem em seu planejamento realizar alterações de layout periodicamente, como o franqueado deve se organizar e se readaptar constantemente, quais as implicações na operação das unidades?

Primeiro ponto é entender o porquê das mudanças constantes que o franqueador decide fazer. Algumas marcas de franquia realizam alterações no layout regularmente, literalmente uma “troca de roupa”, derruba tudo, do piso ao teto e constrói novamente para surgir uma nova roupagem. A alegação é pela necessidade de se modernizar para acompanhar as mudanças tecnológicas, do comportamento do consumidor e impulsionar resultados, em algumas destas alterações faz muito sentido como por exemplo a retirada dos balcões para que os clientes tenham acesso direto aos produtos nas prateleiras, porém outras nem tanto, apenas troca de móveis e cores. Seja quais forem os motivos é uma realidade adotada por alguns franqueadores, mas a periodicidade pode ser pré-definida? Recentemente li matéria em que um franqueador informava que o prazo das alterações passou a ser a cada 4 anos, mas há motivos sólidos para tal decisão?

Em 2009 a Restaura Jeans realizou mudança em seu layout retirando o balcão para que o cliente circulasse pela loja e com isso a perspectiva erade aumento de 40% na receita, em 2015 a Sóbrancelhas alterou totalmente seu layout na loja própria, ampliando seu espaço de atendimento na expectativa de aumentar o faturamento em 15%, aWikimaki, rede de comida japonesa, neste ano alterou o layout para trazer sofisticação sem impactar no seu conceito despojado, também neste ano a CVC iniciou as mudanças com o objetivo de reduzir custos como trocas de materiais da vitrine, além de ampliar espaço de atendimento aos clientes e oferecer um ambiente dedicado às crianças.  Cada um com um motivo específico, mas não projetam outras alterações programadas para os próximos anos, pelo menos não anunciaram na imprensa, as necessidades virão com o tempo e as mudanças planejadas. Mas como entender franqueadores que já informam uma periodicidade destas alterações? Grandes redes de franquia movimentam um mercado enorme de fornecedores para este fim, desde arquitetos, engenheiros, construtores, empreiteiras, entre outros, gerando emprego e renda.

Implantação de novos layouts impactam diretamente o franqueado, se for de maneira periódica anunciada ainda mais. Em primeiro plano há um desembolso para um novo investimento, é como um recomeço, reviver tudo a respeito da instalação que ocorrera no começo do negócio, em tempos de margem de lucratividade apertada necessário usar capital de terceiros, bancos, um novo sócio, utilizar de reservas ou até desfazer de patrimônio, mas o novo investimento tem que gerar resultados e payback em tempo aceitável, a questão é como calcular isso. Vamos entender melhor, imagine como franqueado que você tenha unidades em plena operação alinhados com o conceito da marca desde o padrão arquitetônico, equipe treinada, processos bem executados e tenha claro qual a sua rentabilidade, ao executar a mudança terá que se readaptar completamente, apertar o botão reiniciar na expectativa de melhorar os resultados. Mas se seu resultado crescer, foi por conta destas alterações ou foi uma reação do consumidor mediante uma melhora no aspecto econômico da região que atuas? Se após um ano seu resultado permanecer o mesmo a que conclusão se chega? É preciso avaliar os benefícios trazidos, principalmente verificar o retorno de seu investimento, pois se está apenas cumprindo uma determinação do franqueador, me parece não fazer muito sentido, neste sistema acredito que todos devem ganhar!

Importante que franqueadores e franqueados estejam permanentemente tratando deste assunto e que seja definido em conjunto as alterações, trata-se de investimentos que merecem toda a atenção, por outro lado há realmente necessidades de modernização que se comprovadas claramente que trarão melhores resultados valerão o esforço com toda certeza. Já estamos vendo novos modelos de unidades em que até se aboliu a figura do atendente, com uso de tecnologia de ponta, se traz resultados ou é apenas uma moda só testando para ver e crer. São muitas novidades que geram novas oportunidades, mas que franqueados devem ter um senso crítico e analisar se há viabilidade, afinal é quem está na ponta para garantir o padrão e conceito da marca da franquia. Que venham os próximos anos com resultados excelentes para todos, mudanças são necessárias, mas é fundamental manter um ambiente aberto e transparente de diálogo e entendimento!

Sobre o autor: Empreendedor, Consultor e Palestrante, atual Diretor de Relações Institucionais – ASBRAF (https://asbraf.com/), formado em Administração, foi franqueado durante 36 anos, 1o. Presidente da Junior Achievement – Paraíba de 2004 a 2006.2, Diretor da Associação dos Lojistas do Shopping Sul de 2005 a 2007, premiado diversas vezes entre eles como melhor franqueado do Nordeste e melhor gestão pelo PPQ – Programa Paraibano da Qualidade.

Site: https://douglasnunnes.wixsite.com/consultorpalestrante